passagem

ela que vê glória em trem lotado
cor em dia cinza
estende os braços
abraça o mundo
e quando perguntam
como sorri em meio ao feio e o sujo
só diz saber ser breve
sua estadia na plataforma
que acha bonito
como a onda quebra
as folhas caem
acaba o dia
que não entende
quem coloca na mesma frase
viver e agonia
“não brinco nos trilhos
porque o trem pode demorar
mas sempre chega
e quando vier me buscar
como é que fica?”

valsa de um só

e eu falei que não queria
que era só uma distração
jurei
que não precisava
de nada disso
que queria me dar
escolhi ficar no chão
me assustou seu bem-querer
me sufocou a sua mão
deixei passar o tempo
meses sem resposta
sem dó
morria de medo, mas não admitia
de ter um pouco da minha felicidade

nas suas mãos

Mochileiro das galáxias

Que música toca quando você dança?
Como o vento canta quando te vê passar?
Que balé é esse que quando te toca, o mar rege?
Paleta de cores que clareou meu pesar

Eu me considerava idealizadora por admirar as estrelas
Mas para você, Marte fica logo aí
Enquanto meus universos ficam num velho armário
Alguns dos seus, concretizados, se manifestam por aí

Para viver, vendo sonhos para quem tirar tempo para ficar
Mas hoje, uma estrela me escapou e caiu em você
E agora mesmo que da forma mais idealizada possível
Peço que ela queime, brilhe muito enquanto o sonho durar

Humana eternidade

Que seja eterno enquanto dure

Que seja bela, a vista da tua janela
O jardim de onde decidir chamar de casa
Que seja leve, cada passo dado
Cada caminho percorrido
Cada poesia por ti entoada

Porque a estrada nem sempre é
A vida que te cerca também não é

Então espero que seja leve
Tua alma, teu interior
Que teus sonhos proporcionem tudo aquilo
Que esse mundo não pode te dar

Que a chama ardendo em ti
Aquela que vem do peito
A que queima tuas entranhas
Que o céu de estrelas nos seus olhos
Que nada disso se apague
Não aqui
Não nesse mundo

Que a tua luz continue pulsante
Até o último dos seus dias
E teu anima, sempre alerta
Enquanto tempo para ti restar

Espero que quando vierem tempestades
A força das águas não seja maior
Do que a sua vontade de nadar
Sua certeza de querer ficar

Que o amargor de certos dias
Não te faça esquecer do porquê lutar