abraço

abrac3a7o.jpg

quando você se sentir sozinho, feche os olhos
deixa que o mundo te envolva e que o vazio se aproxime
estenda a mão, toque-o na região entre os olhos e sobre o nariz
a solidão não precisa ter uma aparência amedrontadora
talvez sua face seja gentil como a de um amigo de infância
com olhos que transbordam a inocência do primeiro amor
as flores da infância, aquelas que você deixou para trás no início da juventude
elas definharam por falta de cuidado
enquanto isso você corria, tinha pressa
tentava acelerar com as próprias mãos a rotação da Terra
para conhecer o ser adulto
para finalmente saber “o que ia ser quando crescer”
até que o tão esperado dia chega
crescer acabou por ser o sonho tornado em realidade
mas a realidade tem cantos escuros, sombras espreitando em cada esquina
ruas esburacadas e olhos por toda parte
com as asas da liberdade vem o risco de cair
mas você garantiu: estava pronto para tentar
queria pagar o preço, julgava ser forte o suficiente
ninguém sabe o que é dor até o momento da queda
a sensação de que as paredes se fecham à sua volta
e de que o mundo resolveu descarregar o próprio peso em você
quero saber de uma coisa: você já cansou da luta?
porque li em algum lugar que às vezes melhor do que se debater, é parar
ficar quieto e pensar com calma apesar da vontade de fugir
se você ainda tem alguma força, aceita os braços que timidamente te convidam
acolhe o silêncio e recebe o que ele tem pra te ensinar
porque junto com a solidão, o vazio e a ausência
ele pode te fazer mais completo
ai de você pequena criatura, por que insiste em espernear?
aceita os ensinamentos que eles te propõe
e a biblioteca de autoconhecimento que têm para dar
quem sabe no meio de um dos capítulos
você não encontra um pequeno embrulho?
e quem sabe dentro dele você não acha sementes
de flores conhecidas e outras diferentes
que vão te ajudar a plantar um novo jardim
perfumar os novos ares, colorir a nova rota 
e te mostrar que a aventura de se viver não chegou ao fim

Acceptance

I’m afraid of being who I am.

I’m afraid that the day I show my true colors people will reject me.

I want to paint my hair pink and tattoo a chamomile flower on my wrist because it’ll help me remember life’s beautiful and anxiety is  smaller than me.

I want to lose myself on the streets I choose freely without caring about who I might encounter. I want to no longer be obliged to give explanations or be afraid of misunderstandings.

I’ve always lived as if I wasn’t allowed to make mistakes. But I am. I am human, I fail. The people who judge me do it too.

If they are no gods, who are they to tell me what to do?

They tell me to toss my mask, they say I’m a fake. However once I do it, will they deal with the beast inside me? How are they supposed to understand it when I, the one who’s slept with it every night, have never been really able to?

Maybe this beast isn’t a monster, maybe it’s not even bad.

What if it’s in reality my natural state? I need to release it if that’s the case.

Won’t you let me live? I don’t remember having to ask permission in order to breathe.

If I say I’ll pay the price, will you finally let me go?

I’m packing my things, you giving me a yes or a no.

Bilhete

Para quem interessar ler isso:

As coisas mudaram. Para melhor, para pior? Mudaram.

Fui parar aqui nesse.. lugar.

E nessa estrada, nesse processo, tenho que deixar pelo caminho algumas coisas que talvez não me pertençam mais. Ideias concretas, verdades aparentemente bem alicerçadas, características, manias, rotinas.

Não escolhi ao certo meu rumo, e se surgir uma bifurcação agora talvez eu não saiba qual caminho seguir.

Não escolhi nem essa estrada na qual encontro meus pés. Na verdade, sinto como se tivesse sido arrancada do meu lugar e jogada no meio do caminho. Talvez isso possa ser chamado de sair da zona de conforto?

Eu sei, não escolhi quase nada ainda, mas escolhi continuar caminhando: aos tropeços, perdas de referência e muitos, muitos joelhos ralados.

Continuando. Vivendo. Caminhando.

Espero que isso não te soe como abandono. Eu vou, mas quem sabe logo eu já volto?

É minha hora de buscar, experimentar, sentir tudo aquilo que ainda não fui atrás por não saber que precisava. Tô me perdendo pra me achar. De novo.

Fui correr atrás de mim.

Mas já volto.

Vai ficar tudo bem, mesmo que você não consiga enxergar isso no momento

DSC_0449.JPG

Tem vezes que tudo parece uma merda, tudo mesmo: família, trabalho, finanças, saúde, estudos, relacionamentos… E tem vezes que é “só” uma (ou algumas) delas, mas não tem jeito, já é suficiente para estragar todo o resto. Estragar, te deixar bolado, te impedir de ver as coisas numa outra perspectiva, sei lá. Nessas horas dá para identificar o ponto específico em que você foi atingido e trabalhar na medida do possível para amenizar a situação nem que seja trabalhando com o que você tem aí dentro de você.

Mas e quando você não sabe a causa dessa tristeza?

É difícil lidar com demônios cujos nomes não sabemos.

O importante é saber que eles têm nome sim, e eles não precisam ser visíveis ou palpáveis para serem reais. Nunca deixe que te façam acreditar que seus problemas não são importantes o suficiente para receberem atenção. E olha: tem uma grande diferença entre isso e se fazer de vítima. Quem se vitimiza não tenta resolver o problema, fica sentado no meio do caminho abordando quem passa até achar alguém que cai. Quem se faz de vítima acaba levando os outros juntos, foca na atenção que vai receber dos outros ao invés de procurar uma solução para o problema em si, e ele pode ser simplesmente (e às vezes, dolorosamente) aprender a lidar.

É necessário pedir ajuda, se cercar de gente de confiança, essas vozes que te sussurram (muitas vezes na calada da noite) que é melhor ficar quieto para não incomodar ninguém não poderiam estar mais erradas. Às vezes elas também podem aparecer falando que vai passar se você deixar quieto, mas esse monstro só vai crescendo e ficando cada vez mais forte? Não. Dê. Ouvidos. A. Elas.

Permita-se o tempo necessário para curar, às vezes sentar um pouco, dar uns passos para trás, são partes necessárias de um processo que vai te levar muito mais longe. Tudo bem demonstrar fraqueza de vez em quando, tudo bem ser humano.

E como o título já diz, vai ficar tudo bem, mesmo que você não consiga enxergar isso no momento.