um dia desses

um dia a mais
as mãos firmes
rosto erguido
porque tudo passa
e é no sorriso
de quem vê esse mundo
ainda como lugar bonito
onde moram as certezas
de que há terra firme
logo adiante nesse mar
aguardo
nesse crescente escuro
precipício do mundo
teu pleno voo
para no meu egoísmo
libertar
até lá
aguardo no quieto
assisto o progresso
daquele
que no fim do tudo
será prova
de que fui capaz de amar

Para Davi

Barquinho meu

Agarrei seus arcos como se fossem meus
Acreditei que encontraria poesia

Fantasiei mais do que cem vezes
Que você me traria respostas

Me impediria de afogar

Procurei refúgio em seus castelos
Todos eles de papel

Os que te adoram com tal veemência, coitados
Tentam em vão acumular o que não se guarda

Boiar num eterno vendaval

Na ignorância deles você arde
Na tinta deles você sangra

A memória apaga, os livros queimam, a cultura morre
Tudo se perde e nada se salva

Só no escuro a vela ilumina

Me despi da fantasia de mulher adulta
Fiquei à deriva

Dá medo o tédio do ócio
Preguiça da rotina

valsa de um só

e eu falei que não queria
que era só uma distração
jurei
que não precisava
de nada disso
que queria me dar
escolhi ficar no chão
me assustou seu bem-querer
me sufocou a sua mão
deixei passar o tempo
meses sem resposta
sem dó
morria de medo, mas não admitia
de ter um pouco da minha felicidade

nas suas mãos

Mochileiro das galáxias

Que música toca quando você dança?
Como o vento canta quando te vê passar?
Que balé é esse que quando te toca, o mar rege?
Paleta de cores que clareou meu pesar

Eu me considerava idealizadora por admirar as estrelas
Mas para você, Marte fica logo aí
Enquanto meus universos ficam num velho armário
Alguns dos seus, concretizados, se manifestam por aí

Para viver, vendo sonhos para quem tirar tempo para ficar
Mas hoje, uma estrela me escapou e caiu em você
E agora mesmo que da forma mais idealizada possível
Peço que ela queime, brilhe muito enquanto o sonho durar