//glitch//

my heart, it feels as if it’s going to burst
this pain, this ache, born from the doubt
fed with the noise from the outside world
that screams none of this is enough
and that i have lived less than I should

the city that surrounds me, it bores me
it’s noisy, lonely and grey
and on its tall building walls
i see my whole history written in faded paint

the nights always look the same
the stars haven’t shown any change
and the sun outside my window
it has started to set after another identical day

a new accomplishment to be grateful for
another goal to set my eyes on
that’s all i had believe to need
this is what i have been hungry for

but that’s not what is going to soothe
the addiction i have for being happy all the time
this stupid need for always being right
the thrilling feeling whenever i said for sure
that i was no more sick, that my mind was alright

[no title]

when the air in my lungs gets cold and the planets align

when the last of the Colosseum’s stones turns into dust

the moment my body can’t produce any more heat

.

I’ll draw butterflies on your skin one more time

I’ll paint red birds on your arms and let them fly

.

I poured all the voice that lasted me on a lying wishing well

traded it for a human soul when I should have waited

if I had had the patience, maybe now I would have my wings

.

hands heating the metal, fingers embracing the trigger

maybe playing Russian roulette with you wasn’t a good idea

and betting on the weakest was just digging my own grave

.

if you read my tombstone, it’ll probably have a song

a poem, a quote that at some point meant something for me

.

you fed me with stars and crowned me with the moon

they gave me the clouds and the sea to have my story written

but now I see that instead of flying I started falling, drowning

.

Saudações

Caro eu, caro você

Seus olhos não mentem
Os círculos escuros ao redor deles gritam por cuidado
As marcas roxas que se espalham pela sua alma
Só não se comparam às fitas vermelhas amarradas em seus braços

Eu posso ver o vermelho escuro emergindo do seu peito
O mesmo que rege seu fluxo, as batidas de seu coração
Quando foi que ele deixou de ser sinônimo de vida
Para dar lugar à sua falta de auto perdão?

Ramalhetes de rosas cheios de espinhos
Veludo macio cercado de lâminas de prata
Sorrisos adornados em luto
Máscaras de porcelana caricaturando risadas falsas

Nós tentamos superar o entorpecimento da vida
Usando poções e pílulas mágicas
Arriscamos nossas vidas, tudo o que construímos
Se preencher um pouco desse nosso nada

Mas toda mágica tem seu preço
E uma hora o cobrador aparece à porta
Seja pelo pó de fada, pelo espelho encantado
Pela fumaça que sobe nos altares ou cada um dos terços rezados

Magia custa caro
Sobreviver custa caro
Mas e viver?
Isso também custa caro?

Aprendemos durante a adolescência:
O calor dos outros não pode nos esquentar
As mãos deles são frias
E é só com as próprias forças que você consegue levantar

Nós perdemos muito quando decidimos mudar para cá
Para esse lugar, a cidade dos adultos
Assinamos nosso destino
Deixamos tudo que era nosso desde nascença para trás

Tentamos nos encaixar em fórmulas e regras
Porque avisaram que caso contrário não iriam nos aceitar
Em troca recebemos um par de asas de cera
Que derreteram quando ousamos sonhar alto demais

abraço

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quando você se sentir sozinho, feche os olhos
deixa que o mundo te envolva e que o vazio se aproxime
estenda a mão, toque-o na região entre os olhos e sobre o nariz
a solidão não precisa ter uma aparência amedrontadora
talvez sua face seja gentil como a de um amigo de infância
com olhos que transbordam a inocência do primeiro amor
as flores da infância, aquelas que você deixou para trás no início da juventude
elas definharam por falta de cuidado
enquanto isso você corria, tinha pressa
tentava acelerar com as próprias mãos a rotação da Terra
para conhecer o ser adulto
para finalmente saber “o que ia ser quando crescer”
até que o tão esperado dia chega
crescer acabou por ser o sonho tornado em realidade
mas a realidade tem cantos escuros, sombras espreitando em cada esquina
ruas esburacadas e olhos por toda parte
com as asas da liberdade vem o risco de cair
mas você garantiu: estava pronto para tentar
queria pagar o preço, julgava ser forte o suficiente
ninguém sabe o que é dor até o momento da queda
a sensação de que as paredes se fecham à sua volta
e de que o mundo resolveu descarregar o próprio peso em você
quero saber de uma coisa: você já cansou da luta?
porque li em algum lugar que às vezes melhor do que se debater, é parar
ficar quieto e pensar com calma apesar da vontade de fugir
se você ainda tem alguma força, aceita os braços que timidamente te convidam
acolhe o silêncio e recebe o que ele tem pra te ensinar
porque junto com a solidão, o vazio e a ausência
ele pode te fazer mais completo
ai de você pequena criatura, por que insiste em espernear?
aceita os ensinamentos que eles te propõe
e a biblioteca de autoconhecimento que têm para dar
quem sabe no meio de um dos capítulos
você não encontra um pequeno embrulho?
e quem sabe dentro dele você não acha sementes
de flores conhecidas e outras diferentes
que vão te ajudar a plantar um novo jardim
perfumar os novos ares, colorir a nova rota 
e te mostrar que a aventura de se viver não chegou ao fim