Terra, céu e mar

Ah, eu sonhava que poderia ser livre
De futuros erros, arrependimentos

Escapar de cada escolha errada
Voar longe do sol quente

Olhar pra trás e admirar bem de longe
Cada penhasco e tropeço evitado

Caminho plano, trajeto fácil (sempre em frente)
Nunca para cima nem para baixo

Fitei os pássaros e feriu admitir
Quando me segurava, errava também

Aquele cuja forma de existência é defeito
Desfeito, malfeito, indivíduo imperfeito

Não tem a chance de ver o rosto dos anjos
Sem simetria em sua carne e cerne

Com a certeza da finitude do que pregam infinito
Abandono, devagar, a hesitação que me define

Não posso mais planar somente de noite
Recolher-me a cada fim de madrugada

Se a cera de minhas asas derreterem
Espero que o oceano me aceite

Enquanto estiver em queda livre
Meu tempo correndo mais rápido que o vento

Quero me afogar em tranquilidade
Não tentarei me agarrar à superfície

Envolverei meu corpo em ondas
Repousarei minha cabeça em sua espuma

Passarei o resto de meus dias
Finalmente, flutuando num céu de mar

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