feliz natal (I)

não nego
que é a minha certeza
construída na tristeza
de quem espera
o que ainda não voltou
mas que já foi
no meu tempo
na minha época
tão especial
junto em cada
pequeno momento
das mãos em concha
aguardando a bênção
que hoje paira sobre mim
em cor de sombra
gosto frio
de quem perdeu o trem
saiu da linha
sem plano de retornar
mas de peito estirado
ainda espera
teu regresso
tua volta
desculpa minha
pra acordar
não interromper
meu respirar
tu é minha paz
e tormento
tempestade brava
que não indica fim
mas promete
um céu aberto
ouro no limbo sem teto
diz que vai me mostrar cores
que eu nunca vi
só que o andar sob águas
não me tira o medo
pavor da existência
fobia minha de eternidade
e você, tão solene
em se dizer durar para sempre
agradeço
mas hoje peço
por favor
de permanente
só o esquecimento

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