Barquinho meu

Agarrei seus arcos como se fossem meus
Acreditei que encontraria poesia

Fantasiei mais do que cem vezes
Que você me traria respostas

Me impediria de afogar

Procurei refúgio em seus castelos
Todos eles de papel

Os que te adoram com tal veemência, coitados
Tentam em vão acumular o que não se guarda

Boiar num eterno vendaval

Na ignorância deles você arde
Na tinta deles você sangra

A memória apaga, os livros queimam, a cultura morre
Tudo se perde e nada se salva

Só no escuro a vela ilumina

Me despi da fantasia de mulher adulta
Fiquei à deriva

Dá medo o tédio do ócio
Preguiça da rotina

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