Saudações

Caro eu, caro você

Seus olhos não mentem
Os círculos escuros ao redor deles gritam por cuidado
As marcas roxas que se espalham pela sua alma
Só não se comparam às fitas vermelhas amarradas em seus braços

Eu posso ver o vermelho escuro emergindo do seu peito
O mesmo que rege seu fluxo, as batidas de seu coração
Quando foi que ele deixou de ser sinônimo de vida
Para dar lugar à sua falta de auto perdão?

Ramalhetes de rosas cheios de espinhos
Veludo macio cercado de lâminas de prata
Sorrisos adornados em luto
Máscaras de porcelana caricaturando risadas falsas

Nós tentamos superar o entorpecimento da vida
Usando poções e pílulas mágicas
Arriscamos nossas vidas, tudo o que construímos
Se preencher um pouco desse nosso nada

Mas toda mágica tem seu preço
E uma hora o cobrador aparece à porta
Seja pelo pó de fada, pelo espelho encantado
Pela fumaça que sobe nos altares ou cada um dos terços rezados

Magia custa caro
Sobreviver custa caro
Mas e viver?
Isso também custa caro?

Aprendemos durante a adolescência:
O calor dos outros não pode nos esquentar
As mãos deles são frias
E é só com as próprias forças que você consegue levantar

Nós perdemos muito quando decidimos mudar para cá
Para esse lugar, a cidade dos adultos
Assinamos nosso destino
Deixamos tudo que era nosso desde nascença para trás

Tentamos nos encaixar em fórmulas e regras
Porque avisaram que caso contrário não iriam nos aceitar
Em troca recebemos um par de asas de cera
Que derreteram quando ousamos sonhar alto demais