Barquinho meu

Agarrei seus arcos como se fossem meus
Acreditei que encontraria poesia

Fantasiei mais do que cem vezes
Que você me traria respostas

Me impediria de afogar

Procurei refúgio em seus castelos
Todos eles de papel

Os que te adoram com tal veemência, coitados
Tentam em vão acumular o que não se guarda

Boiar num eterno vendaval

Na ignorância deles você arde
Na tinta deles você sangra

A memória apaga, os livros queimam, a cultura morre
Tudo se perde e nada se salva

Só no escuro a vela ilumina

Me despi da fantasia de mulher adulta
Fiquei à deriva

Dá medo o tédio do ócio
Preguiça da rotina

valsa de um só

e eu falei que não queria
que era só uma distração
jurei
que não precisava
de nada disso
que queria me dar
escolhi ficar no chão
me assustou seu bem-querer
me sufocou a sua mão
deixei passar o tempo
meses sem resposta
sem dó
morria de medo, mas não admitia
de ter um pouco da minha felicidade

nas suas mãos

Mochileiro das galáxias

Que música toca quando você dança?
Como o vento canta quando te vê passar?
Que balé é esse que quando te toca, o mar rege?
Paleta de cores que clareou meu pesar

Eu me considerava idealizadora por admirar as estrelas
Mas para você, Marte fica logo aí
Enquanto meus universos ficam num velho armário
Alguns dos seus, concretizados, se manifestam por aí

Para viver, vendo sonhos para quem tirar tempo para ficar
Mas hoje, uma estrela me escapou e caiu em você
E agora mesmo que da forma mais idealizada possível
Peço que ela queime, brilhe muito enquanto o sonho durar

Humana eternidade

Que seja eterno enquanto dure

Que seja bela, a vista da tua janela
O jardim de onde decidir chamar de casa
Que seja leve, cada passo dado
Cada caminho percorrido
Cada poesia por ti entoada

Porque a estrada nem sempre é
A vida que te cerca também não é

Então espero que seja leve
Tua alma, teu interior
Que teus sonhos proporcionem tudo aquilo
Que esse mundo não pode te dar

Que a chama ardendo em ti
Aquela que vem do peito
A que queima tuas entranhas
Que o céu de estrelas nos seus olhos
Que nada disso se apague
Não aqui
Não nesse mundo

Que a tua luz continue pulsante
Até o último dos seus dias
E teu anima, sempre alerta
Enquanto tempo para ti restar

Espero que quando vierem tempestades
A força das águas não seja maior
Do que a sua vontade de nadar
Sua certeza de querer ficar

Que o amargor de certos dias
Não te faça esquecer do porquê lutar